"Nunca é tarde demais para ser o que você poderia ter sido."

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Roteiro-Objeto... Um jeito de fazer!


Suspeito que algumas pessoas ficarão meio-quase-que-totalmente DESESPERADAS com a última tarefa determinada pela nossa fofíssima e deliciosa professora Wlad Lima. 
Muito bem, aqui uma "cola" pra vocês... sou exxpeeeeeeerta! ;)

Como vamos fazer isso pelo amor de God?

-Com as extrações feitas por cada um, das ações, narrativas (de si e de cada um "outro");
-Bricolar um "Frankstein" com nossas sugadas e mordidas;
-Na forma de um objeto, mas com pedaços fragmentados,  rizomático, construído como matéria,
com tudo o que for possível e como ideia, com os nossos perceptos.

E NÃO ESQUEÇAM QUE ESTE OBJETO SERÁ A MATERIALIZAÇÃO DO ROTEIRO DE INSTALAÇÃO.
Obs: Cada página pode ser enlaçada e desenlaçada onde a gente quiser.
Até aqui para segunda-feira.

E nos próximos capítulos...
Usaremos na instalação:
1 objeto que sustente o seu peso;
1 objeto iluminante;
+1 objeto qualquer (coerente com o roteiro ok?)
+ o chão ou o teto.

A delimitação da instalação de cada um será CIRCULAR.

O figurino é a roupa PREDILETA (pode ser customizada)
A Performance será no dia 19 de junho- CHEGUEM às 14h plís! =]

Beijo_me_liga! Amo v6!

domingo, 30 de maio de 2010

FIM DO ESPETÁCULO



Fecham-se as cortinas, o espetáculo terminou
no palco, o cenário ainda montado
lembra a peça que a vida apresentou
num drama amargo e conturbado...

Teatro vazio, sem plateia nem atores
tristes aplausos aos ouvidos ainda soam
último ato, todos choram a morte dos amores
cuja atuação a lembrança lhes povoam...

Foi mais uma comédia tristemente urdida
e perfeitamente mostrada sem deslize
em única apresentação no teatro da vida
sem nenhuma chance de haver reprise...

Desmonte-se, portanto, todo cenário
e jogue-se tudo no poço da memória
sequem-se as lágrimas do itinerário
começando a escrita de uma nova história...


domingo, 23 de maio de 2010

Arte Tecnologia e Sensibilidade

Expositor: Devison Amorin
Comentador: Felippe Batista


         Existem pelo menos dois tipos de tecnologias. De um lado, as tecnologias brutas, voltadas para produção de bens materiais leves ou pesados, de outro, as dotadas de certo nível de inteligência.


Tecnologias produtoras e reprodutoras da linguagem:
A alienação termina onde começa o diálogo.
          Quando um artista investe em um novo meio, intervindo nele com a força criadora do diálogo, está rapidamente criando  esferas de ação e de sentir, que redesenham o contorno humano em novas paisagens de espaço-tempo.
A arte abre braçadas rumo a um saber puramente sensível.
Uma vontade de conhecer, pelo prazer de conhecer. 
Há seres que nascem para sonhar o mundo, outros, para ativá-lo.           
Os artistas apoderam-se dos novos meios para humanizar os sentidos humanos. Cabe ao receptor a apreensão do admirável e aventurar-se a viajar na liberdade dos sentidos.



Espaço e Lugar

Expositor: Kayo Costa
Comentador: Rafael Cabral
Para Anthony Giddens, a palavra “espaço ” é utilizada genericamente enquanto “lugar” e  se refere a uma noção específica do espaço: trata-se de um espaço particular, familiar, responsável pela construção de nossas raízes.


O texto discute o território físico e simbólico da arte,  sobretudo uma das caracteristicas que definem a existência da arte o fato dela ocupar um espaço pensado como o espaço institucionalizado.
Gostei muito do modo simples e informativo com que o Kayo ministrou o seu seminário, foi muito bom!
Rafael conseguiu a proeza de apagar o próprio trabalho em pleno início de seus comentários, onde, segundo ele, haviam imagens sobre o assunto a ser comentado... Uma pena. Achei também meio confuso suas explicações, mas no debate, fluiu melhor.

Na segunda parte da aula, a dinâmica do oculto teve seu prosseguimento:
Renan e Patrick: desde outras aulas, sabemos que nosso colega Renan segue o espiritismo e tivemos a oportunidade de descobrir como tudo isso teve início exatamente nesta aula, onde ele nos revela que durante uma noite, ele ainda criança com uns seis anos de idade, escuta uma gargalhada diabólica gritando em seguida: " EU VOU TE MATAR!". Um de seus tios, após este ocorrido, iniciou Renan no espiritismo, onde ele pode controlar melhor seus "dons ocultos" até hoje. Já Patrick, nos conta algo bem parecido e que acredita que de tanto seu irmão colecionar posters de ícones de filme de terror, algum espírito obsessor se aproximou realmente. O fato é que alguma força maior e fora de seu controle, o fez tentar esganar o irmão durante a noite. Patrick não lembra de nada, apenas de acordar em cima do irmão com as mãos envoltas no pescoço dele, como se quisesse matá-lo.
Ícaro e Kayo: Esta foi realmente a história que entre todas mais me arrepiou. Ícaro nos conta que sua mãe encontrou com a "vira-bixo", a mãe, da Pantera, uma figura conhecida por muitos aqui em Belém. Depois de ir até a casa da lendária figura, a mãe dele dá o endereço de sua própria casa, porém errado, volta pra casa pertubada com as declarações dadas, chegando até a pegar ônibus errado, e no meio da noite sente vontade de estender roupa. Ao chegar no varal, escuta um forte assobio: FIIIIIIIIIIIIIIIU. Entra em casa assustada. Pela manhã, alguém bate na porta. Ela abre e dá de cara com a "vira-bixo", que muito naturalmente diz: "Oi, vim te visitar!". Kayo nos conta mais uma vez sobre o pai. Muito parecido com o oculto da Carol, ele também relata ter sonhado com o pai, alguns dias após o mesmo ter falecido. Aqui outro registro de sonhos que parecem muito reais e por isso confortam.O pai pedia pra ninguém chorar, pois estava bem agora.
Romário e Felippe: Mais um conto gostoso sobre os causos do interior. Dessa vez foi Romário e sua Dama do Bacuri. Achei fantástico o relato. Uma mulher bonita, toda vestida de branco e com os cabelos brancos que apontava os bacuris-mamãos para a avó dele, a qual ainda era criança, e  junto com os irmãos viveu esse imaginário todo. Felippe vem nos contar de sonhos confortadores também.  Seu avô levantava do caixão e dizia estar bem, que não era pra ninguém chorar.
Wallace: Contou que seu pai sentiu a presença de um parente o seguindo pela estrada, ao chegar em casa o parente estava dormindo. No outro dia tivera a notícia de que sua mãe morrera na noite anterior. A família acredita que era o espírito da falecida, tentando avisar que estava tudo bem.

Jogar, representar (introdução e a capacidade de jogo)

Expositor: Maurício 
Comentador: Ramon

Bem, dessa vez foi tudo no texto mesmo, sem slides,  sem imagens, tudo na conversa direta.
Basicamente falamos da importância do jogo no processo de formação do ator a partir de pulsões  criativas. Jogar como processo formativo também é teatro. 
Sempre com a fisicalidade do espaço, procurar estímulos visuais para a montagem é tão importante quanto outros atributos ( sentimentos, sons) para despertar o sensível.
"Tudo na vida pode ser teatral. Pro autor isto é o jogo."
A escola tem seus a favor e contras em relação ao jogo cênico, talvez pelo fato do pedagogo não ser detentor absoluto do saber da psicologia,  mas é praticamente impossível fazer teatro sem mexer na área . Trabalhar com psiquismo e emoção é mexer com o outro e com nós mesmos, nas mais diferentes áreas do inconsciente. No jogo há pulsão de vida e o processo terapêutico se encontra no próprio jogo.
"Nosso oficio é um grande jogo,não temos como fugir disto."

Na segunda parte da aula, a dinâmica do oculto teve seu prosseguimento:
Maira e Rafael: é, fui logo de primeira, não tive como escapar, e tentei organizar as imagens do dia em que pessoas vestidas de branco visitaram minha casa e coisas ocultas se revelaram em meus inexperientes 10 anos de idade, bem diante de meus olhos, e como tudo isso influenciou no nascimento do meu irmão caçula. Na seqüência, Rafa nos contou como foi o dia em que teve uma revelação visual de algo muito dolorido. Uma perda, que aconteceria num futuro não tão distante. Fiquei muito comovida.
Marckson e Carol: me fascina o modo como o Marck nos conta sobre suas raízes interioranas, "rasgação de sedas" a parte, o imaginário sempre foi algo muito forte em minha trajetória, e essa lenda conheci nessa aula. Ele nos fala sobre um tal homem de pernas muito compridas que vagava pelo rio próximo a uma ponte, nas noites de Quatipuru. Ainda criança, e ouvindo essas histórias na companhia de primos mais velhos, inevitavelmente ficou assustado e ao ir deitar, sua imaginação lhe pregou uma peça: uma pessoa ao passar próximo da fresta da janela de sua cozinha, e com a incidência da luz, provocou uma ilusão ótica de pernas maiores e esticadas, tal qual os primos tanto o aterrorizara, com a figura-mito que andava pelo rio. Tão grande foi o susto que só lhe restou gritar e acordar toda a casa. Em seguida, Carol nos contou que seus sonhos são reveladores. E em um deles teve a oportunidade de estar ao lado do pai, lanchar com ele, e se confortar em ouví-lo dizer que estava bem. Seu pai estava no hospital e partira para outro plano logo em seguida. Mas o que fica para ela, é a certeza de que seus sonhos são meios comunicativos ocultos, capazes de lhe confortar.
Carmen e Maurício: Foi meio confuso o contar da Carmen, só me lembro que era sobre sonhos, talvez porque o que o Maurício revelou à turma, foi tão forte, que eu realmente não lembro o que foi contado pela colega. Maurício acredita que o fato de desejar algo ruim à irmã, acabou acontecendo...Comoção geral. Eu realmente não estava preparada pra ouvir, talvez porque toda essa violência que lemos nos jornais e em todo canto, pareça distante de nós. O sentimento de culpa e intransigência é muito forte nele pelo ocorrido.
Ramon e Delianne: foram os últimos da noite, e apesar do clima que ficou, eles conseguiram  uma concentração para "tocar" o exercício. Ramon nos falou sobre seu avô e mais uma vez sobre sonhos, e que em sua família os sonhos têm influência marcante. Depois do falecimento do avô, a avó do Ramon, durante a noite, sente a presença do falecido como se ele deitasse na cama ao seu lado e no dia seguinte ela vê uma figura desenhada na mesma cama, em cima do lençol. O avô dele era "maçon" .  Deli nos falou sobre outro enigma: uma tia dela, no leito de morte, a chama e diz para que a cuidasse bem do pai dela, pois era o "cavalo branco" da família.

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Te respiro...

Vivo de suspiros

Se me viro, te respiro

Vivo num martírio por não poder te tocar

Te observo, te sigo...

Vivo de suspiros

E se me viro, não respiro

De tanto te desejar

Me pergunto, me confundo

Em anseios e sentimentos

Que só a tua presença

É capaz de causar

E é nela que eu me perco

Me arrepio, estremeço

Por assim, me apaixonar

Vivo de suspiros

E se me viro... Ai.

Uma tensão sentida,

Um amor que oscila,

Entre a razão e a ilusão

Algo tão intenso, capaz de ofuscar a razão e o bom senso...

Um instinto atrelado à necessidade da tua pele

O mais próximo da minha...

Vivo de suspiros

E se me viro,

Te respiro.

terça-feira, 27 de abril de 2010

Exercitando os "causos" do Oculto....>>>>>>>



             Dessa vez o desafio era contar as experiências ocultas acontecidas em nossa família....
          Depois de ouvir,arrepiada, as histórias do Paulo e do Rafa, consegui lembrar de duas historias minhas bem cabulosas... Respirei fundo e as imagens fluíram em minha mente...
Lembrei primeiro do mistério que me ocorreu numa igreja evangélica, onde eu entrei numa espécie de transe e acabei indo parar no palco, ao lado do pastor. Gente foi incrível, eu realmente não me lembrava de nada... Depois, lembrei de outra história, a que eu decidi contar pra turma... Mas segura a curiosidade aew nêgo porque eu vou deixar pro próximo post...=P
Wlad escolheu a dedo quem iria contar e a gente escutava quieto e durinho, que nem boneco de miriti vendo o círio passar... Pois bem, Ives e Jean; Devison e Patrícia; Kátia e Felippe. Foram eles os protagonistas dos contos da noite. Pouco a pouco iam se revelando histórias que remetiam o imaginário, ocorridas na vida real e que deixaram meus pelos todos em pé...
Na vez da Kátia, confesso que já esperava pelo o que aconteceu, mas o susto foi inevitável. Toda aquela tensão envolvida no “causo” em contraste à quietude do Felippe, que apenas escutava, talvez com medo dos famosos “santos” da Kátia, e que se fizeram presentes num único sacolejar, suficiente pra dar um susto em toda turma. Foi a imagem que ficou, hilariamente relatada pelo Renan ao dizer: “Eu vi o Felippe como se fosse o Chico Xavier recebendo a entidade Kátia...” é Renan, e eu jurava que a Rose ia passar mal de tanto rir, ela raxaaaaaaava!
E assim mais um dia de nossas trajetórias, até o próximo post!

Manual prático para sonhar acordado à luz de velas.



O francês Gaston Bachelard (1884-1962) era nos anos de 1950 o equivalente mais próximo que a Europa tinha de um filósofo com jeito de Papai Noel. A semelhança ia além dos cabelos e barbas brancos e do olhar doce que dá a alguns velhos uma beleza serena. Bachelard era, de fato, um bom homem, que a imprensa de seu tempo retratou como um professor de modos calmos e disposição infatigável de acolher todos aqueles — e eles foram muitos — que se interessavam por sua obra.
Há algo de sui generis nessa obra e na personalidade intelectual de Bachelard, e isso deve muito ao fato de ele juntar em seus escritos dois temas distintos: a ciência moderna, com sua parafernália conceitual inspirada sobretudo na Relatividade de Eistein e na Mecânica Quântica de Planck, e a poesia, com sua profundidade lírica. Curioso é que os dois lados não se misturam: Bachelard estava convencido de que era preciso ter o máximo rigor para refletir sobre a ciência e a máxima liberdade para experimentar a literatura.
Num dado momento de sua vida, quando já tinha publicado densos trabalhos de análise do pensamento científico, Bachelard descobriu as imagens poéticas e passou a produzir livros de intenso lirismo que analisam obras de diversos autores. Ele cunhou então uma fórmula de grande beleza para exprimir essa duplicidade de interesse: o homem diurno da ciência, que deseja tornar todos os conceitos claros, e o homem noturno da poesia, que deseja a penumbra para sonhar com as imagens evocadas pelos poemas.
A comunidade pensante do Ocidente deve ao Bachelard Noturno um tratamento interessante e inspirador do tema da solidão. Seu pensamento trabalhou e aprofundou a idéia de que a solidão é criadora, na medida em que é nela que o espírito cria e alarga seus horizontes, reconectando o passado ao presente por meio da memória e projetando o sonhador no futuro por força da imaginação. Esse processo é feito durante o devaneio, o ato solitário de sonhar acordado a partir de imagens poéticas.
O devaneio assume relevância central na obra de Bachelard. O filósofo elaborou uma classificação em que eles variam conforme o tipo de imagem que os inspira. Assim, por exemplo, há devaneios do ar, da terra, da água e do fogo. Foi ao analisar estes últimos que Bachelard teve a idéia de escrever um pequeno livro que pode ser incluído entre as mais belas produções do pensamento ocidental do século XX. Seu título é poético —A chama de uma vela — e seu objetivo não é outro senão traçar uma pedagogia do ato de sonhar acordado.
Desfazendo-se de qualquer método filosófico de análise, Bachelard usa seu próprio caso para ilustrar a idéia de que o leitor ou a leitora que tem um livro aberto diante dos olhos, sob o clarão de uma vela, fica tentado a dar asas à imaginação: "Temos pela chama uma admiração natural, ouso mesmo dizer: uma admiração inata. A chama determina a acentuação do prazer de ver, algo além do sempre visto. Ela nos força a olhar", diz ele, e ao ler isso ficamos tentados a imaginar o bom velhinho com os olhos brilhando diante da vela.
Nas breves páginas de seu livro, o filósofo, vendo aproximar-se o apagar de suas próprias luzes, faz uma tocante exortação ao sonho que dignifica e justifica os momentos de solidão em que nós, leitores, nos abrimos em devaneio para as imagens poéticas banhadas pela chama trêmula das velas: "A chama, dentre os objetos do mundo que nos fazem sonhar, é um dos maiores operadores de imagens. Ela nos força a imaginar. Diante dela, desde que se sonhe, o que se percebe não é nada comparado com o que se imagina".
Seguindo por um caminho que confronta a tradição de pensamento que estimagtiza a fantasia, Bachelard afirma de modo corajoso a dignidade do devaneio e seu sentido profundo: "Um ser sonhador feliz de sonhar, ativo em sua fantasia, contém uma verdade do ser, um destino do ser humano". Depois de ler passagens como essas, vemos o quanto foram preciosos aqueles momentos que, da infância à idade adulta, passamos em solidão criativa diante de uma página cheia de imagens.
A chama de uma vela tem entre seus entusiastas brasileiros nomes como o do escritor Rubem Alves, que a citou em mais de uma crônica. A partir dessa citação, o livro se tornou conhecido e procurado. Nem isso, porém, animou as editoras a produzir uma segunda edição em português. A única disponível, esgotada há muito, foi publicada em 1989 pela Bertrand Brasil, com tradução de Glória de Carvalho Lins, e transformou-se numa espécie de raridade disputada pelos leitores no mercado livreiro nacional.
Por isso, ou por obra do destino, precisei esperar muito para conseguir um exemplar. Ele chegou no início deste mês, pelo correio, vários anos depois de eu ter lido pela primeira vez uma referência à pequena grande obra de Bacherlard. Nestes dias que antecedem a chegada da Primavera, este adepto do devaneio em que me transformei desde a infância recebeu o pequeno volume como quem recebe um caro amigo aguardado há longos anos. Sinto que valeu a pena esperar, como mostram as passagens a seguir, que para mim tiveram o sabor de um presente de natal antecipado:
A chama é um mundo para o homem só.
Então, se o sonhador inflamado fala com a chama, fala consigo mesmo. Ei-lo poeta. Ampliando o mundo, o destino do mundo, meditando sobre o destino da chama, o sonhador amplia a linguagem, já que exprime uma beleza do mundo. (...) O próprio psiquismo se amplia, se eleva. (...) Para atingir esta 'altura psíquica' é preciso encher todas as impressões, insuflando-lhes matéria poética.

As fantasias da pequena luz nos levam de volta ao reduto da familiaridade. Parece que existem em nós cantos sombrios que toleram apenas uma luz bruxuleante. Um coração sensível gosta de valores frágeis. Comunga com os valores que lutam, portanto, com a luz fraca, que luta contra as trevas. (...) Com a fantasia da pequena luz, o sonhor se sente em casa, seu inconsciente é como se fosse sua casa. O sonhador! — esta duplicata de nosso ser, este claro-escuro do ser pensante — tem, na fantasia da pequena luz, a segurança de ser.

Quem confiar nas fantasias da pequena luz descobrirá esta verdade psicológica: o inconsciente tranquilo, sem pesadelos, em equilíbrio com sua fantasia, é exatamente o claro-escuro do psiquismo. (...) Imagens da pequena luz nos ensinam a gostar desse claro-escuro da visão íntima. (...) Um sonhador (...) compreenderá instintivamente que as imagens da pequena luz são lamparinas íntimas. Suas luzes pálidas tornam-se invisíveis quando o pensamento trabalha, quando a consciência está bem clara. Mas quando o pensamento repousa, as imagens vigiam.

O aspecto poético de uma fantasia nos faz conformarmo-nos com esse psiquismo dourado que mantém a consciência deperta. (...) A chama nos mantérá nessa consciência da fantasia que nos mantém acordados. Dorme-se diante do fogo. Não se dorme diante da chama de uma vela.

Assim, nos tempos em que se sonhava pensando, em que se pensava sonhando, a chama da vela podia ser um sensível termômetro da tranquilidade da alma, uma medida da calma fina, de uma calma que desce até os detalhes da vida — de uma calma que dá uma graça de continuidade à duração que segue o curso de uma fantasia pacífica. Quer ficar calmo? Respire suavemente diante da chama leve que faz sossegadamente seu trabalho de luz.

#TEXTO DE MÁRCIO ALMEIDA JÚNIOR #

terça-feira, 20 de abril de 2010

O Apelo Afetivo do Cheiro

 O mais incrível no cheiro pra mim, é a capacidade que ele tem em fazer alguém se apaixonar!


Aqui mais uma aula da Wlad,  e eu consegui finalmente, atualizar o blog....
Bem, esta aula foi totalmente biológica e quero agradecer ao nosso colega Ives pela enorme colaboração, bem como encorajá-lo a experimentar mais vezes a biologia para o teatro!
Segue aqui um vídeo que mais me identificou com a aula de hoje .
Adorei a musiquinha... =]